Ao não amado ser, dou-me num pedaço de carne. Coma! (gritam minhas fibras).
A tu que driblas minha falta de melatonina… Adrenalina! Não? Não importa… me falta - e isso nota-se de longe.
A tu que riscas com o dedo o momentâneo prazer sem igual, e depois te afastas para eu não sentir-lhe o cheiro… Tu fedes-me um perfume amargamente doce. Amargurante diante minha dor frustrante… Apenas peço-lhe que garantas-me um banho após teu gozo. Já que à mente não se lava, ao menos tira-me da pele a baba.
À tua gratidão, meus pêsames.
[Salomon Müller]
Num instante, inscrita em versos pus-me
À folha. Numa gota de nanquim
Criei um universo que reduz-me
A um simples ponto que em tudo põe fim.
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A imensa e forte luz que em tudo vibra
À fonética beleza dos versos,
Invade a minha mente e nela dribla
Todos esses sentimentos emersos.
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Controla-se à minha mão esta pena
Que risca-me a pele em busca de tinta
Vermelha. Com esta o preto contrasta.
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E põe fim à minha vida serena.
Tristeza, de vermelho enfim me pinta
Pra negra eternidade que me resta.
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[Salomon Müller]
Instantes em que passo a existir em pensamento apenas… Lembranças adentro com tamanha insistência para provar, nestas, todo o meu ser, que outrora rejeitado fora. Por estes instantes mal vividos meu corpo repulsa. Rumino gemidos em vez de gritos, e após instantes em que mudo da mais extrema raiva para profundíssima tristeza, simultaneamente apego-me a minha simples presença despercebida.
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[Salomon Müller]